"DE REALIDADE JÁ BASTA A VIDA", DIZ FOTÓGRAFO ESPECIALIZADO EM LOMOGRAFIA

A DOSE CERTA DE “FALTA DE CONTROLE” VIRA FERRAMENTA NA BUSCA PELO INUSITADO

Por Julio Caldeira

Na biografia de seu site, Jorge Sato é descrito como um fotógrafo “lutando para alcançar lugares desconhecidos e misteriosos, por meio de um universo analógico”. A frase diz muito sobre o trabalho dele. Mesmo uma olhada rápida nas imagens abaixo já deixa claro esse interesse pelo mistério e o apreço pelo que ele chama denão perfeição técnica” da lomografia – técnica da qual ele é hoje um dos maiores expoentes. “De realidade já basta a vida”, disse durante a conversa exclusiva que teve com a gente.

“Por isso normalmente prefiro reconstruir e alterar contextos, tentando criar um novo ponto de vista, sempre com um viés surreal e onírico”. Agora olhe mais de perto. O que são a estátua “imersa” num lago de vitórias-régias (em Jardim Botânico 4) ou os cavalos de granito que parecem ganhar vida (em Monumento Às Bandeiras) se não uma abertura para o fantástico em meio à dureza cinza da cidade?

E essa “mágica” ele orquestra com batuta analógica. “Gosto muito da Lomography. Tem a ver com imprevisibilidade, liberdade criativa e estímulos às experimentações”. 

(Conheça todas as fotos dele disponíveis no Acervo COMPOTA)

 

 
Descobrir novos ângulos ou uma nova maneira de retratar algo que no primeiro momento soa óbvio é um treino que exige grande transpiração com um pouco de inspiração
(Foto acima: Rio de Janeiro 4)

 


Eu não quero o total controle sobre o resultado, mas também não desejo que a imagem final seja uma total loteria. É deste conflito que surge algo inusitado
(Foto: Microclick 2)

 


Quando estou andando por São Paulo, procuro sempre observar os lugares com certo ‘olhar de turista’, porque fotografar o lugar que vivemos pode ser bem difícil” 
(Foto acima: Monumento às Bandeiras)

 


Minhas duas principais referências são o cinema e a pintura de diversos movimentos – principalmente o Romantismo dos séculos 18 e 19, e o Futurismo do começo do século 20” (Foto acima: Rio de Janeiro 2)

 

(Foto: Rio de Janeiro 6)